12 de outubro de 2004

A ESCRITA ALIMENTAR
Não é que não se possa fazer poesia enquanto se põe o pão na mesa... O que não se consegue é ouvir os sons da seara com o barulho do estômago a roncar.

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11 de outubro de 2004

FILMES DE LÁ E DE CÁ

Pura distracção: esqueci-me de comprar o bilhete para a antestreia do filme baseado na obra do Bilal "Os Imortais" (eu sei, eu sei, existe um outro) e não apanhei lugar. A sessão esgotou. Os 800 lugares. Ainda bem que o público aderiu em massa.
Vai daí, meti-me no metro e fui até ao Colombo ver o trash movie "Balas e bolinhos". A única crítica que tinha visto fora de alguém que se está virado para dizer bem, diz, se acorda com os pés ao contrário diz mal. O que nada ajudava.
Primeiro: o realizador tem "mão". Não só escolhe os enquadramentos justos, como a sucessão de planos é ainda mais justa. Consegue um filme cheio de ritmo, apenas com um fiozinho de história. O que é obra. Tem 2 planos de grua (quem é que lhe terá emprestado o aparelho... ;) ) absolutamente impecáveis. Aliás, não me lembro de ter alguma vez visto igual num filme português.
A imagem vídeo aguenta-se bem e o som era bom, na sua generalidade.
O público riu do princípio ao fim e nem a brevíssima aparição amacacada do Fernando Rocha conseguiu sujar demasiado a coisa.
É claro que não tem um argumento a sério. Mas até aí está igual a 90% do cinema nacional. Só que sem pretensões. Falha pela inexistência de diálogos escritos e pensados (evitava o falajar penoso do actor principal, uma das grandes fraquezas. Vê-se que está cheio de boa vontade e energia, mas a coisa não vai lá).
Foi divertido, e correu lindamente na sua hora e quarenta e oito minutos. Quantos filmes pagos com os nossos impostos se podem gabar disto? Quase nenhum.
Só por cegueira não se verá a bondade da exibição deste filme. E só por hipocrisia não se perceberá que o caminho da produção portuguesa passa por este arriscar em trabalhos longos e sem meios, mas que chegam ao fim e agradam a algumas pessoas.
Os mais corajosos que vão ver e voltem para contar.

9 de outubro de 2004

LIVROS

Já estou há algum tempo para referir uma das minhas últimas leituras, CARTER VENCE O DIABO (asa) o primeiro romance de Glen David Gold. Mais de 600 páginas bem escritas a remeterem para o mundo dos ilusionistas. Para quem tomou contacto com o trabalho de Houdini e de tantos criadores de ilusões do início do século XX é um livro fascinante. Porque fiel ao espírito que movia esses homens.
Não é um livro para Nobel, mas pode encher muitos fins de noite daquele prazer antigo de sermos acompanhados por uma boa história.
E o site é igualmente divertido.

FESTA DO CINEMA FRANCÊS

Sem as enchentes ou a animação do ainda fresco "Indie", a Festa tem uma selecção variada e curiosa de filmes. Hoje, passou WILDE SIDE (2004-Drama), de Sébastien Lifshitz. Um filme interessante, filmado sem grandes pruridos e com uma autenticidade no trabalho com os actores tocante.
O programa está disponível em vários locais da net, nomeadamente aqui.

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DANTES, USAVA-SE
a vergonha na cara.
Os "trabalhadores" da Caixa Geral de Depósitos marcaram uma greve para o dia 29 de Outubro. Tomado por um palpite fui verificar o calendário: 29 é a sexta-feira que antecede o feriado de 1 de novembro. Sexta, sábado, domingo e segunda de férias.
Um dia, a sem vergonhice desta ala da função pública criada na babugem do Verão Quente, terá de acabar. Os milhares de malandros que entopem as empresas públicas e os sindicatos terão um dia de perceber o significado das palavras "brio", "honestidade" e "produtividade". Ou dar lugar aos que estiverem dispostos a cumprir as suas obrigações.
Por enquanto não passam de um bando de aproveitadores dos nossos impostos.

7 de outubro de 2004

Marcelo

já se escreveu tanto sobre um assunto cujo principal visado permaneceu em silêncio que qualquer opinião será provavelmente errónea.
Diria apenas que Marcelo R. Sousa tem tido um papel muito válido no "assentar da poeira" das questões nacionais. Se lhe dermos o desconto das opções ideológicas mais imediatas, digamos assim, ficamos com um comentador sensato apostado, quase sempre, em gerar consensos; mais virado para a dinamização das energias nacionais do que para a má língua. Com alguns deslizes que só lhe ficam bem, porque o aproximam dos menos hábeis a distinguir o trigo do joio.
O secretário de estado (era um ministro?) terá cometido a gaffe... Olha a novidade! Como se alguém esperasse deste executivo (que, malgré tout, tem algumas pessoas com valor - uma, ou duas) alguma coisa proveitosa.
Santana Lopes afundar-se-á por si próprio, apenas porque é de papel. E, qualquer miúdo lhe poderia dizer que os barquinhos de papel amolecem e desfazem-se ao fim de algum tempo.
Se até a saída de um comentador de uma estação de televisão é capaz de mexer com eles...

5 de outubro de 2004

LA CONFIANCE

pedem-me que confie. em deus. na existência do céu. na bondade da obediência às leis. na justiça e nos seus defensores. no inevitável crescimento económico. que o crescimento económico de uns trará a riqueza de todos. que o amor eterno. que a amizade eterna. existem. que me deixe levar para o bem de todos. que dê a outra face. sempre a outra face. e se for possível, o cu. e o cérebro. e tudo o que eu souber e seja útil a alguém que não a mim.
pedem-me que seja sempre bom, num mundo em colapso. que me cale se não quiser criar inimigos. que minta se quiser fomentar amizades. preciosas para a obtenção das riquezas temporais.
pedem-me que compreenda que nada é verdadeiro. que a aceitação dessa ideia é um velho pacto entre os homens e a felicidade terrena.
pedem-me tudo isto. e eu cedo. todos os dias me esforço por ceder. mesmo se há dias em que não consigo deixar de sentir, sob os pés descalços, as pedras do chão de terra.


4 de outubro de 2004

NO BUDGETS

Defendo há vários anos a necessidade da produção independente de filmes. Quando eu digo "independente", quero dizer Low budget ou até mesmo NO budgets filmes. Com o aperfeiçoamento do vídeo digital (chamo a atenção dos mais ambiciosos para a chegada do novo modelo da Sony - como não me pagam para isto, imagino que outras marcas também lancem modelos - de Alta-Definição (HD) em tamanho compacto) e com a vulgarização da edição de filmes em computadores a 7a arte ficou de facto... ao alcance dos artistas. Não só dos pseudo,como até dos verdadeiros. Aqueles de quem desconhecemos o nome. Por agora.
O subsídio de filmes criou em Portugal não só resmas de bluffs a quem chamamos "cineastas", como tem alimentado alguns (muito poucos) tubarões. Gente interessada em que nada mude enquanto os ventos lhe soprarem de feição. Tudo lhes serve: amigos colocados nos júris dos concursos, jornalistas que escrevam em diários, controlo de salas de exibição, etc, etc.
Para romper este ciclo só há uma possibilidade honesta: fazer a custo zero. Unir esforços de actores, realizadores, pós-produtores. Criar mecanismos de distribuição e exibição alternativos.
E assim, trazer ao de cima um cinema que tem sido esmagado e menosprezado por toda uma (com resquícios na actual) geração de agentes cinematográficos.
Ia falar da produção de Balas e Bolinhos, em exibição em pelo menos 2 cinemas e feito com o esforço e entusiasmo de uma equipa do norte. Tem o Fernando Rocha no elenco, o que vai retardar a minha ida à sala. Mas quando vir, logo direi o que me pareceu. Uma coisa será certa, pior do tanta e tanta coisa a 130.000 contos, cada, que temos visto nos últimos anos, não será...
Não há nada para lá da Coragem.

3 de outubro de 2004

INDIE- encerramento

Ora aí está a prova de que me enganei ( e o Eurico de Barros também) redondamente com o filme português em baixo referido. Um júri constituído por um crítico do Público e dois jornalistas franceses, resolveu dar o Prémio da Crítica ao ex-crítico do Público, Miguel Gomes. Surpreendente para alguns, atendendo às timidas vaias que se fizeram ouvir na sala (eram mais as pessoas que batiam com a mão na testa e exclamavam "Eu não acredito"). Enfim. Cada país tem a cara que merece.

Os restantes prémios foram: Melhor Filme Português, para LISBOETAS, de Sérgio Trefaut; Melhor Fotografia, Rui Poças; melhor curta-metragem, CON QUE LA LAVARÉ (animação) e o Grande Prémio foi para LE MONDE VIVANT (que ainda não vi).

NOITE ESCURA não ganhou coisa nenhuma, helàs, mas ainda lhe resta o Festival de Cinema de Portel que começa agora.

Os directores estavam contentes com a adesão em massa do público, apesar do desconforto do ar condicionado (que a benzoca da Egeac procurou desvalorizar - não sei a quantas sessões assistiu, mas com tanta descontração não devem ter sido muitas - remetendo para o passado, a responsabilidade da coisa). Deram-se mesmo ao luxo de anunciar o Número Real de espectadores (esta sinceridade, só por si, já os torna num caso raro, no reino dos dados inflaccionados...), até ontem, mais de 11.000 pessoas. O que para uma primeira edição de um festival ligeiramente apoiado pelo Icam, foi extraordinário.

E pronto, quem quiser pode assistir amanhã aos filmes premiados.
Para o ano há mais. Duvido é que seja no S. Jorge, pelo relax da criaturinha ao declarar que a sala "não serviria só para cinema", e que ia para obras.
Se fosse pessimista diria que lá vem o rockódromo, disfarçado de coisa inteligente.

2 de outubro de 2004

INDIE - último dia
Por razões várias (da família do Pão na Mesa), não pude assistir aos filmes dos últimos dias.
Um dos que não iria ver, de qualquer maneira, seria a - por assim dizer - longa-metragem de Miguel Gomes. Tal como muito gente, simpatizei com o seu primeiro filme, até dar de caras com o original de François Ozon e ter preferido este último. Eurico de Barros, contudo, assistiu:
"No entanto, não é correcto chamar longa-metragem a A Cara Que Mereces, porque se trata mais de uma desconcertante experiência cinematográfica, do que outra coisa - um híbrido de curta inacabada e de fita de amigos, nos limites da auto-indulgência e cifrada pelo realizador para que ninguém tenha a menor ideia do que está a ver. Para saber sobre que é este filme, o espectador terá de ouvir ou ler a explicação do realizador. E não há nada pior do que um filme que não se sabe contar a si mesmo e precisa que o seu autor o decifre..." (DN). Não perdi nada, portanto.

Hoje é a sessão de encerramento (por convite, helàs) com o documentário Super Size Me". Uma incursão ao mundo da junk food e aos deliciosos efeitos sobre as nossas anatomia e saúde.

O balanço ficará para amanhã, depois de sabidos os prémios.
JOBS FOR THE POORS

Folheio o jornal e dou de caras com anúncios de câmaras municipais, escolas e institutos a pedir gente. Auxiliares. Ordenados na casa dos 400/500 euros mês. Seria curioso pensar como é que se vive num dos países com o custo de vida mais elevado da Europa com esse dinheiro.
Isto lembra-me que uma amiga não se pode reunir comigo na próxima semana (desenvolvemos um projecto complicado no domínio das novas tecnologias e do vídeo) porque lhe apareceu um trabalho de alguns dias como Assistente de Guarda-Roupa. Anos a estudar cinema no estrangeiro para ganhar a vida a passar vestidos a parvas que mal sabem ler ou escrever (e que gostam desse estado) mas que ganham milhares de contos por mês. Alguém tem uma ideia de quanto ganha a Merche Romero? Ou aquele apresentador/actor dos Ídolos? Eu tenho. Mais de um mira-amaral por mês. A minha amiga está contente porque vai ter dinheiro para pagar a renda, este mês. Tal como a amiga que lhe arranjou o biscate, arquitecta no desemprego e que também andará a apertar os fechos às coristas.
Alguém se admira dos miúdos se espremerem em filas de quilómetros para fingirem que sabem cantar e atingir o "sucesso"? Eu, não. Já não.
As alternativas estreitam-se cada vez mais, no nosso país(inho) com gel.


30 de setembro de 2004

E NÃO BUFA!

Hoje foi anunciado o início das portagens nas SCUDS (sigla inglesa que quer dizer Estrada em Sítio Onde Dantes Seria Preciso Morrer Para Lá Chegar). Como não se atreveram a desmentir o José Barroso, lá inventaram esta coisa de durante 2 ou 3 anos os indígenas não pagarem. Depois dessa data, ou pagam ou vão marrar com os cornos contra os camiões da nacional 125, isto para só citar uma das zonas atingidas.
Os juros para habitação também vão subir.
E por aí fora.
Está assim compreendido o que queria dizer Bagão Félix ao afirmar que a economia de um país se gere como uma casa de família. Não especificou é que a casa era a do Santana Lopes e que a maioria de nós só ganha para ser o seu criado de quarto. Por este andar vamos acabar todos a passar fome. Ou a ver passar os mercedes dos quer roubam quanto podem.
Em termos históricos, nada de novo. Em 24 de Abril de 1974 era exactamente assim...



INDIE - dia 6

Além das curtas (que esgotaram, claro) houve a antestreia do último filme do João Canijo "Noite Escura" (a tradução foi muito mais romântica: "In the darkness of the night"). Sessão concorrida com a equipa do filme, e uma chusma de actores mais ou menos reconhecíveis.
Que dizer? Houve quem gostasse.
Pessoalmente fico-me por alguns momentos do desempenho da Rita Blanco. E por uma Beatriz Batarda muito bonita (por dentro) e quase sempre eficaz. Quanto à realização, para quem não tenha visto nada do realizador, se abstenha dos filmes a concurso e se meça por aquilo que se faz em Portugal com o dinheiro dos nossos impostos... diria que foi boa.
Claro que isto que estou a dizer será contradito pelo Público e por vários jornalistas que ganham a vida a escrever bem sobre as produções Paulo Branco, aquando da estreia. Adiante.

Hoje, temos um filme do Sabu "Hard Luck Hero", acção em japonês. Nunca vi nada dele mas dizem-me que tal como o autor do "Breaking News" tem uma legião de fãs.
Além disso e super-recomendável, duas sessões de curtas-metragens (chegar cedo para apanhar bilhete, recomenda-se)

A votação para o Prémio do Público sofreu ontem uma reviravolta com a ascensão directa ao primeiro lugar de ALICE ET MOI. Para os que estão lembrados, ou tenham pachorra de ler os arquivos deste blogue, já se tinha vaticinado a coisa.
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28 de setembro de 2004

INDIE- dia 5

Vou ser breve: as duas sessões de curtas metragens foram boas, bem equilibradas; o filme "Temporada de Caça", foi óptimo (estreia em breve, em Portugal). As salas mais pequenas (250 lugares) continuam a esgotar amiúde e a EGEAC continua a não tratar do ar condicionado.
Ah: e, pela primeira vez em Portugal, um catálogo de Festival (onde estão as fichas técnicas, sinopses...) esgotou e estão a imprimir a 2ª edição. Um sucesso editorial que assevero não ser, de todo, light...

PATH

Há pessoas que carregam a solidão dentro de si. Como uma segunda natureza. Como se o mundo fosse uma arca de noé, com todas as espécies aos pares e eles se segurassem sozinhos à amurada, enquanto as águas subiam e a nave balança. Não há nisto nada de especialmente trágico. Apenas outra forma de viver a sua condição.
É a estes que os tarólogos gostam de mostrar a carta "O Ermita".
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INDIE- dia 4

Estou a resistir. Quatro dias enfiado nas cadeiras do S. Jorge. Acho até que me estou a habituar à temperatura das salas. Como se vivesse sobre o Equador... Adiante.
O sucesso do festival, não sendo inesperado, está a ultrapassar todas as expectativas. Milhares de espectadores assistiram aos 4 dias de exibições, atingindo números que estão a fazer cair de cu, a rapaziada da Câmara de Lisboa: os mesmos que recusaram à Zero em Comportamento, uma das salas pequenas onde fosse possível ter uma programação regular de cinema independente... Enfim, pela falta de neurónios morrerá o peixe.
Ontem foi dia da segunda (e última) exibição das aventuras da IRON PUSSY, um disparate fílmico do impronunciável Apichatpong Weerasethakul em colaboração com Michael Shaowanasai e do CZECH DREAM (até ao momento, o principal candidato a Prémio do Público) Não consegui ver este último, mas a reacção geral foi a melhor. Quanto às peripécias da agente transexual Iron Pussy ( o nome diz tudo) foi um fartote de riso. Julgo que a maioria dos espectadores (a sala estava praticamente esgotada, pela segunda vez) também. Houve quem odiasse, claro. É um daqueles filmes que se presta a isso.
O BREAKING NEWS também juntou mais de 300 espectadores (número a olho). Um policial bem construído, para apreciadores do género.
Falhei o LISBOETAS, documentário de Sérgio Trefaut, que espero ver em próxima apresentação.
Para quem ainda lá vai hoje, recomenda-se a Competição de Curtas 1, A TEMPORADA DE PATOS e (não vi...) o que parece ser um dos filmes mais bizarros do festival LE MONDE VIVANT
NO COMMENTS

Ontem, um homem que ganha a vida a vender bolos de chocolate despediu-se de mim com a frase "Obrigado por ser meu fã.
Todos os dias ouvimos coisas surpreendentes.

27 de setembro de 2004

INDIE-dia 3

Foi dia da argentina Lucrecia Martel, com a sua LA NINA SANTA. Não vou mentir, fiquei um pouco decepcionado, face a tanta expectativa. Claro que ela filma com uma sensibilidade muito interessante e que o filme arranca e termina bem... Mas o meio enrolou, enrolou... Enfim.
O pior foi o sistema de legendagem ter resolvido armar-se em caprichoso. Perante uma audiência de mais de 500 pessoas (sim, leram bem, a sessão ultrapassou os 500 espectadores), decidiu que não lhe apetecia. A organização parou o filme, pediu desculpas e tratou do problema. Perante uma ou duas pessoas irritadas (provavelmente habituadas à eficiência mecânica dos cineminhas da Lusomundo - tipo queca semanal: não falha, mas não deixa saudades) seguiram a segunda hipótese proposta e reaveram os preciosos 2 ou 3 euros do bilhete. Estavam no seu direito.
Melhor foi a selecção de curtas que passaram em Sundance. Com destaque para o último filme, GOWANUS, BROOKLIN, uma incursão nos subúrbios novaiorquinos, com óptimas interpretações.
Também à volta da comunidade negra (afro-americana, como é politicamente correcto afirmar-se), foi o filme da tarde, premiado em Sundance. Bem construído, sem grande arrojo. E um pouco panfletário para o meu gosto, na sua insistência em nos mostrar a chatice que é ser gay, negro e artista para aqueles lados. A gente já tinha percebido... Não era preciso fazer mais um filme sobre o tema. Digo eu.

Amanhã é o dia das curtas não competitivas, esse sim, a não perder. E para quem gosta de filmes de acção total, em ambiência "manga" (grosso modo, já que o filme é de Hong Kong), passa o BREAKING NEWS, do JohnnieTo. Ah, e já me esquecia, um filme de produção portuguesa (realizador brasileiro) LISBOETAS, de Sérgio Trefaut.


A SUÍÇA UBER ALLE

"Os eleitores suíços rejeitaram hoje a facilitação do processo de naturalização de imigrantes de segunda e terceira geração, depois de uma intensa campanha nas vésperas do voto, que diversos partidos e organização denunciaram como racista e xenófoba.Cinquenta e dois por cento dos eleitores suíços rejeitaram uma primeira proposta de legislação que dava cidadania automática a estrangeiros de terceira geração nascidos na Suíça, isto é filhos de pessoas nascidas no país ou netos de imigrantes residentes na Suíça há muito. Uma segunda proposta, que pretendia facilitar o acesso à cidadania para a segunda geração, foi rejeitada por uma maioria ainda maior: 57 por cento." (in "Público").
Só quem não conhece de perto este pequeno país, com os seus agricultores altamente subsidiados e protegidos (não só os preços dos produtos agrícolas são absurdos, como é proibido ir a um dos países do lado e fazer compras à vontade, só para dar um exemplo), as velhas denunciantes atrás dos cortinados das janelas e a opinião generalizada de que os estrangeiros não são "propres" (limpos/correctos"), é que pode ficar admirado.
Este grupo de lavradores, enriquecidos com a desgraça da segunda guerra mundial e com os biliões e biliões de dólares sujos depositados nos seus bancos, acabará sozinho. Uma espécie de aldeia gaulesa, mas muito envelhecida...

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